Biografia de Chico da Silva
Chico da Silva foi um pintor brasileiro. Nasceu na Amazônia, desenhou nos muros de um bairro de pescadores de Fortaleza, aprendeu o guache pelas mãos de um pintor suíço e recebeu em 1966 uma menção honrosa na Bienal de Veneza. No auge da fama, transformou o próprio ateliê numa oficina coletiva com os meninos da vizinhança, e a pergunta sobre onde termina a sua mão e começa a dos discípulos ocupa a crítica desde 1966, quando o primeiro escândalo de autoria chegou aos jornais.
Morreu pobre em 1985, e passou as décadas seguintes guardado sobretudo pelo Ceará. Desde os anos 2020, retrospectivas nas Pinacotecas de São Paulo e do Ceará, mostras em Nova York, Xangai e no Reino Unido e artistas que o citam como influência, de Denilson Baniwa a Jaider Esbell, devolveram seu nome ao circuito internacional. Esta biografia conta essa vida com as fontes à vista: os jornais e revistas que o cobriram em vida e os livros e catálogos que o estudaram, além da pesquisa ainda em curso.

Origens no Alto Tejo
Chico da Silva nasceu por volta de 1910 no Alto Tejo, às margens do rio Tejo, no Território do Acre, perto da fronteira com o Peru, em terras que então pertenciam a Cruzeiro do Sul e hoje são de Marechal Thaumaturgo.1 O ano é incerto, e a própria incerteza é um traço da biografia: ele não tinha registro civil, a data mudava conforme quem contava, e os documentos não ajudam. A carteira de identidade e a maior parte dos catálogos dizem 1910; o catálogo de sua primeira individual, em 1961, traz 16 de março de 1922, dia que ele mesmo deu à revista O Cruzeiro em 1963; ao Correio da Manhã, em 1966, calculou 1928; ao crítico Luiz Ernesto Kawall, em 1972, deu 2 de maio de 1928; e o crítico Estrigas, que o conheceu, defendeu 1922 ou 1923 e atribuiu o 1910 a um erro de dicionário que passou de catálogo em catálogo.2345 Até a imprensa alternativa dos anos 1970 tinha a sua versão: o jornal Movimento deu 1926.6
O pai era um caboclo peruano de provável origem kampa que a documentação nomeia como Domingos da Silva, ou Luiz Domingos da Silva; a mãe, Minervina Félix de Lima, cearense que tinha seguido a borracha para a Amazônia.72 Segundo o filho, o pai tinha barcos e o levava nas viagens pelos rios.4 A família voltou para a terra da mãe quando ele ainda era menino, e o pai morreu no Ceará, picado por uma cascavel em Quixadá.7 Depois de Quixadá e da serra de Guaramiranga, onde trabalhou em um sítio, ele chegou a Fortaleza já rapaz; a idade na migração varia de seis a dezessete anos conforme a fonte e a entrevista.78
Tomou o nome de Francisco Domingos da Silva e morou no Pirambu, à época uma faixa de dunas e casebres de pescadores na zona oeste da cidade. Foi analfabeto a vida inteira: já adulto, no museu da universidade, aprendeu a desenhar a própria assinatura.9 Antes de viver de pintura ganhou o pão como pôde. “Não fui só pintor. Já fiz muita coisa na vida… fui sapateiro, barbeiro”, lembrou ele, na coleção de frases que Roberto Galvão reuniu para o obituário de O Povo; as listas de época acrescentam tamanqueiro, consertador de guarda-chuvas, funileiro, tapeceiro.1011 Um perfil publicado em Fortaleza em 1967, quando ele já vendia por galeria, ainda o apresentava como o sapateiro que passara a pintar nas horas vagas, e registrava a frase com que ele explicava ter largado o único emprego formal da vida: “não sou homem prá trabalhar com patrão”.12
Os muros da Praia Formosa
Por volta de 1937 começou a desenhar nos muros caiados dos casebres da Praia Formosa, perto do Passeio Público e do Poço da Draga.13 O material era o que havia à mão: carvão, giz, cacos de tijolo e de telha. Peixes, cobras, aves, navios fantasmas. Anos depois ele contaria que a vontade vinha do próprio muro: “quando via um muro caiado, sentia […] vontade de pintar”.14 Desse repertório de parede ele datava também o primeiro quadro, Um Dragão Comendo Arraia, de 1937.215


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Antes de ser conhecido, corria no bairro que ele fosse débil mental. Estrigas recusou a avaliação e descreveu um homem vivo e habilidoso, sem instrução escolar e nada mais que isso.16 Quem passava pela Praia Formosa via o desenho pronto e não via o autor: “é um indiozinho que aparece por aqui todos os dias, êle rabisca, rabisca e vai embora”, respondiam os moradores a quem perguntava, na versão que a imprensa repetiu por décadas.1517 Uma venda avulsa antecedeu qualquer carreira: segundo Estrigas, ele vendeu o primeiro quadro em 1942, por 1.500 cruzeiros.18
Chabloz e o guache
Em 1943 o pintor suíço Jean-Pierre Chabloz, em Fortaleza a serviço da Campanha da Borracha, viu os desenhos nos muros da Praia Formosa. O local viraria lenda urbana com endereços trocados, e foi o próprio Chabloz quem o fixou, num depoimento assinado no Jornal do Brasil em 1969: foi na Praia Formosa, escreveu, “e não em Pirambu, nem na praia de Iracema, como afirmaram vários jornais”.19 Deixou recado com os moradores, e os dois se encontraram meses depois; a desconfiança de Chico adiou o primeiro contato.20 Chabloz encomendou trabalhos em papel, entregou o material e pagou adiantado: folhas de bristol, nanquim, guache, tinta pastel, lápis, penas e pincéis.21 Nas estadas de 1943 a 1945 e de 1947 a 1948 reuniu cerca de vinte guaches em coleção própria.22

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Os primeiros guaches entraram nos salões de Fortaleza em 1944, no III Salão Cearense de Pintura, organizado pelo próprio Chabloz, e no II Salão de Abril.23 Uma coletiva de artistas cearenses na Galeria Askanasy, no Rio, em 1945, que o cientista político David Silberstein registra como a primeira galeria de arte moderna do Brasil, trouxe a primeira crítica nacional: para Rubem Navarra, que assinou a apresentação do catálogo, aqueles guaches eram “qualquer coisa de muito sério”, de “uma espécie de Dali em estado de natureza”.2425 De Fortaleza, o pintor Mário Baratta respondeu nas colunas de O Estado em julho de 1945: onde Navarra via um Dali, ele via “muito maiores aproximações” com Raoul Dufy.26
Vender era outra história. Não havia mercado de arte em Fortaleza naquela década, e os quadros circulavam como presente entre a elite cultural da cidade; o comércio especializado só apareceria nos anos 1960, com ele próprio entre os primeiros nomes a sustentá-lo.2728 A leitura econômica é de Silberstein, para quem a pausa que veio a seguir foi também falta de compradores.27 Quando Chabloz embarcou de volta à Europa, em agosto de 1948, levando a coleção, Chico largou os pincéis.29
A Europa sem ele
A coleção viajou sem o pintor. Chabloz mostrou os guaches na Salle Beauregard, em Genebra, no outono de 1949, e o Journal de Genève anunciou a mostra em outubro, em cartaz até o dia 12.30 Vieram Lisboa, no Palácio Foz, em 1951, a convite do escritório de propaganda de António Ferro, e a individual na Galerie Pour L’Art, em Lausanne, em 1952, ano em que a galeria parisiense Jeanne Bucher chegou a programar uma mostra e desistiu quando Chabloz se negou a ceder o direito de venda das obras.31 Cronologias posteriores embaralham essas datas, e o obituário de O Povo dá Lausanne em 1950; este texto segue a cronologia revista pela pesquisa recente.10
Em Paris, Chabloz pôs os guaches diante do crítico Christian Zervos e de André Malraux, que respondeu por carta com uma frase que ele exibiria pelo resto da vida: “Je souhaite vivement que vous obteniez que lui soient confiés des murs!”, faço votos de que lhe confiem muros.19 Em dezembro de 1952 a revista Cahiers d’Art publicou o ensaio “Un indien brésilien réinvente la peinture”, um índio brasileiro reinventa a pintura, com o aval de Zervos, seu editor.326 De novembro de 1955 a fevereiro de 1956 a obra esteve em “Le Brésil”, mostra panorâmica de arte brasileira, dos “primitivos” aos modernos, com que o Museu Etnográfico de Neuchâtel, na Suíça, inaugurou sua sala de exposições, e o museu adquiriu peças da coleção.3334
Os quadros cruzaram todas essas fronteiras; Chico nunca saiu do Brasil. A fama chegava a ele como fábula, e ele a devolvia aumentada: dizia ter sido recebido pela rainha Elizabeth no Palácio de Buckingham, cumprimentado por De Gaulle, ter conhecido a Alemanha, os Estados Unidos e um país fantástico que chamava de Juberlano.35 Jornalistas que pediram provas viram, em 1969 e de novo em 1977, o mesmo documento: um passaporte sem nenhum visto de saída, vencido desde 1967.3637 “Iam seus quadros; ele não viajava”, resumiu o Movimento.6
Dez anos de silêncio
Entre a partida de Chabloz, em 1948, e o fim da década seguinte, Chico praticamente não pintou. Roberto Galvão escreve que a pausa durou mais de dez anos, e registra que o vazio levou parte do público a acreditar que a carreira só começara nos anos 1960.38 O catálogo estadual de 2001 dá o motivo na chave do estímulo que faltou; Silberstein o traduz em economia: sem mercado local, os guaches dos anos 1940 tinham circulado como cortesia entre a elite, e não havia quem comprasse os seguintes.2227 O silêncio era tão completo que o obituário de O Povo o registraria como um abandono “por mais de dez anos”.10
Nesses anos ele seguiu vivendo dos ofícios manuais, invisível para o circuito. A imprensa local só voltaria a registrar movimento em março de 1960, quando noticiou o retorno de Chabloz a Fortaleza.39
A universidade e o mercado
Chabloz voltou em novembro de 1959, encontrou Chico sem pintar e o apresentou a Antônio Martins Filho, reitor da Universidade do Ceará, que implantava o museu de arte da instituição, o MAUC, e o contratou.40 Chico passou a pintar nas dependências do próprio museu, com salário pago pelo reitor, e dali saiu o conjunto de cerca de quarenta guaches que até hoje é o núcleo indiscutido daquele acervo.4012 A versão do pintor sobre o emprego era outra, e mudou com os anos: ao Correio da Manhã, em 1966, disse que ficara dois dias e saíra por não aceitar gritos; ao Unitário, em 1967, resumiu que não era homem para trabalhar com patrão.312

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A primeira individual abriu em 10 de abril de 1961, na sede dos Diários Associados, apresentada pelo governador Parsifal Barroso, e ficou uma semana em cartaz; Estrigas conta dez obras, o pintor lembrava dezessete.414 Dois meses depois, em 25 de junho, ele estava na exposição inaugural do museu da universidade, com seis guaches.41 Já em 1962 o Jornal do Brasil o punha, ao lado de Mestre Vitalino e Chico Santeiro, no “trio famoso dos mais autênticos artistas populares do Nordeste”.42
Por volta de 1963 aproximou-se de Henrique Bluhm, cantor lírico alemão dono de uma lanchonete no centro de Fortaleza, que virou seu primeiro marchand e organizou mostras no Rio e em São Paulo.4344 Em setembro de 1963 uma individual na Galeria Relevo, no Rio, organizada por Jean Boghici, abriu para ele o mercado do Sudeste, e naquele mesmo mês a revista O Cruzeiro publicou uma reportagem em cores, “Francisco da Silva e seu Mundo Fantástico”, que levou o nome dele às bancas do país inteiro.452 Depois de Bluhm vieram Maurício Xerez e José Edilson Pitombeira, o Dão.43 Em 1965 seus quadros já se mostravam em Salvador, São Paulo, Rio e Paris, e um perfil de Fortaleza anotava a cotação: 120 cruzeiros novos na galeria local, quatrocentos a quinhentos no exterior.4612 Chabloz, que voltara em novembro de 1962, afastou-se dele nesses anos, desinteressado do que chamou de façanhas “mais mundanas que artísticas”.47

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Veneza, 1966
O crítico Clarival do Prado Valladares escolheu Chico para a delegação brasileira à 33ª Bienal de Veneza, separando em janeiro de 1966 doze guaches do acervo do museu da universidade.48 Enfrentou resistência dentro da própria delegação, história que contou em carta naquele setembro: escreveu que fora “terrivelmente combatido” por brasileiros contrários à presença do pintor.49 Enquanto a Bienal corria, abriu no Rio, na Petite Galerie de Ipanema, uma mostra de 35 aquarelas do pintor, com apresentação do próprio Valladares, que assinou a defesa: “Francisco Domingos da Silva nada tem de primário, como pintor. É um profissional com tirocínio de quase trinta anos, desenvolvido numa única técnica e sob linguagem inventiva muito pessoal.”503

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Quatro guaches foram pendurados, e o arquivo histórico da Bienal os nomeia: Serpente della serra luminosa, Uccello e pesce “roni”, Drago con serpente e Tronco d’albero con serpente.51 A carta de Valladares conta o resto: reduzido a um mínimo de espaço, ele viu os doze guaches do museu ficarem fora das paredes, até que um membro do júri o procurou às ocultas e o levou a mostrá-los a cinco jurados; a comissão brasileira, consultada de acordo com a praxe, negou o beneplácito à distinção.49 O júri concedeu a menção honrosa assim mesmo, e Valladares a descreveu como inédita para um pintor primitivo na história da mostra; Estrigas a registra como o único prêmio que Chico recebeu em toda a vida.4952 Nem o prêmio escapou da confusão que acompanhava tudo no caso Chico da Silva: o Movimento afirmaria em 1977 que não houvera prêmio algum, apenas menção da crítica, e a comenda física nunca chegou às mãos do pintor. Em julho de 1974 o Correio do Ceará noticiava que o prefeito de Fortaleza ainda providenciava o envio do pintor à Guanabara para finalmente recebê-la.653 No ano seguinte ao da Bienal veio a IX Bienal de São Paulo, e com ela as coletivas de primitivos no Rio, onde O Globo o tratava como “o poeta dos Dragões da Independência”.5455
A Escola do Pirambu

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A procura passou do que ele conseguia entregar, e entre o fim de 1963 e o começo de 1964 ele passou a trabalhar com auxiliares, garotos da vizinhança.56 O núcleo inicial tinha cinco nomes, com idades entre doze e dezoito anos: Babá (Sebastião Lima da Silva), Claudionor (José Claudionor Nogueira), Garcia (José dos Santos Gomes), Ivan de Assis (Ivan José de Assis) e Chica, Francisca, filha do pintor; um jornal de Fortaleza os nomearia, um por um, já em 1977, e de novo dois dias depois da morte do mestre.575859 O trabalho era dividido por etapa: o risco do desenho, o enchimento das cores, o pontilhado, e por fim o acabamento, que ele reservava para si, com a mão de verniz aplicada com bomba de flit, a assinatura e a venda.6061
O aprendizado era escalonado: primeiro o aprendiz enchia os esboços, depois passava à pigmentação e só então podia criar os próprios bichos.60 Todos recebiam pelo serviço executado, e o quanto recebiam é o ponto em disputa das memórias: Chica contou em 1977 que começara aos dez anos, antes da faixa que Galvão registrou para o grupo, e que ganhou trinta cruzeiros pelo primeiro quadro, vendido por cem; um morador antigo do bairro lembra o mestre distribuindo parte do dinheiro “com a molecada” a cada venda.6263 Cada um trouxe um motivo próprio ao repertório: as algas em mandala de Babá, os animais mitológicos de Ivan, a figura humana de Claudionor, as rosáceas de Chica, o degradê monocromático de Raimundo Neto.64 A maneira de pintar de Babá acabou virando o padrão que a escola inteira perseguia, e Galvão registra que havia quem a considerasse superior à do mestre.65

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O ateliê funcionava no anonimato. Quando parava um carro de cliente na porta, os auxiliares tinham de sair pela cerca do quintal, porque ele não queria que a clientela soubesse da oficina.66 Roberto Galvão nomeia vinte e sete pessoas que pintaram como Chico da Silva, entre discípulos, parentes e trabalhadores das oficinas paralelas; uma reportagem de 1976 contou 28 copiadores só no Pirambu, com nomes.6768 Em maio de 1975 a Tribuna do Ceará estampou na primeira página o tamanho do fenômeno: “Pirambu: todos pintam ‘Chico da Silva’”, com a estimativa de quinhentas pessoas do bairro vivendo da venda desses quadros.69 A produção logo saiu da casa: Bluhm montou uma oficina própria em 1965, onde Babá pintava e Chico passava no fim do dia para assinar; Maurício Xerez montou a segunda em 1967, contratando Ivan; e uma terceira, de Valentin Mickaliuck, comprava cartolinas apenas desenhadas e contratava um pintor de publicidade para colori-las.70 Foi por essas oficinas que a tela substituiu a cartolina, por ser de execução mais fácil e valer mais.70 Ficaram conhecidos como a Escola do Pirambu.

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A resposta do grupo veio em 1977. Em março os cinco discípulos expuseram na III Exanor como “Os Pintores do Pirambu”, e foi ali que passaram a assinar os quadros com os próprios nomes; o crítico Frederico Morais saudou no O Globo “a primeira manifestação pública de uma tomada de posição que poderá levar a uma revisão do caso de Chico da Silva”.5771 Em abril, diante do público e ao longo de sete dias, pintaram com o mestre o painel Homens Trabalhando, de quatro por dois metros, inscrito pelo médico Hélio Rôla na categoria de arte conceitual do XXVII Salão de Abril. Chico saía diariamente do hospital, onde estava internado com cirrose, para trabalhar na obra, e a assinou ao final.72 O cientista político David Silberstein, que participou, comparou a cena a “uma pequena orquestra, imbuída do espírito de empenho coletivo”.73 Em 2021 um abaixo-assinado, e em 2022 um dossiê levado ao Ministério Público Federal, pediram que a universidade adquirisse formalmente o painel, guardado havia décadas numa biblioteca do campus; o acordo saiu em 2023, e a obra passou a integrar o acervo do mesmo museu em que o pintor trabalhara nos anos 1960.74
O grupo inicial já tinha se dispersado antes disso. Garcia foi para São Paulo em 1973, porque o que se pagava no ateliê não dava para viver, e só voltou à pintura por volta de 2000; Claudionor parou de pintar telas por causa da polêmica de autenticidade e retomou em meados dos anos 2000.7576 A reaproximação teve data e patrono: por volta de 2004, Claudionor, Garcia e Babá voltaram a produzir juntos sob o Instituto Cultural Oboé, do empresário Newton Freitas, numa fase de grandes formatos.7675 Claudionor morreu em 2010, e Garcia é hoje (2026) o único vivo dos cinco, como registra o livro de 2024 sobre a escola.767778
A fábrica de quadros
O primeiro escândalo público foi em fevereiro de 1966, quando o Jornal do Brasil noticiou a acusação do próprio Chico: a Galeria Relevo estaria vendendo no Rio quarenta quadros encomendados pelo marchand Henrique Bluhm ao discípulo Babá. Bluhm devolveu na mesma matéria: quase tudo de Silva seria falso, “pois êle estaria industrializando a sua arte”.79 Naquele mesmo ano, com a mostra da Petite Galerie aberta no Rio, Dalva, mulher de Chico, foi à polícia em Fortaleza denunciar quadros falsos entre os expostos, e ele desmentiu a própria mulher em público e assumiu a autoria das obras.80

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Em 12 de junho de 1969 a Gazeta de Notícias, de Fortaleza, publicou a declaração de Maria Augusta do Carmo Moreira, de quinze anos: durante quase cinco anos ela pintara quadros que Chico assinava e vendia.81 Em seis dias o caso era nacional. O Globo levou à primeira página o “teste dos peixes”, em que a menina, órfã de Quixadá encorajada por um general, pintou dragões, peixes e pássaros diante de repórteres, e detalhou o pagamento: dois cruzeiros novos por cada três trabalhos.82 “Meus quadros começaram a ser vendidos e eu nunca senti o cheiro do dinheiro”, disse ela à revista O Cruzeiro, que também registrou o desfecho do desafio que ele próprio lançara, pintar ao lado dela na televisão: ele faltou, e ela foi.83 Ele negou tudo, alegou estilo “inconfundível” e se ofereceu “a qualquer teste”; a defesa incluiu até o canhotismo, como marca que imitador nenhum reproduziria.828415

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Chabloz, o homem que o descobrira, declarou naquele junho que a obra virara “indústria de quadros”, “belíssimas porcarias feitas para deleitar os ricos”, e apelidou o ateliê de “Fábrica de Quadros Chico da Silva Limitada”.856 Em agosto, em artigo assinado no Jornal do Brasil, escreveu que Maria Augusta “não tinha feito senão colorir composições rabiscadas pelo senhor Silva”, e que o artista-poeta de outrora cedera lugar ao ator e ao comerciante.19 Um mês depois do escândalo, o crítico José Roberto Teixeira Leite aproximava a oficina do Pirambu dos ateliês de Rubens e Caravaggio, e fazia a pergunta que o mercado faria por décadas: quanto valem agora os dragões assinados por Chico da Silva?86
Do começo dos anos 1970 em diante, a produção paralela deixou de ter qualquer relação com o ateliê. Um guia de turismo do Jornal do Brasil avisava em 1972 que a maior parte do que se vendia nas portas dos hotéis de Fortaleza era falsa; em 1974 o Conselho Estadual de Cultura pediu à Polícia Federal que identificasse os falsificadores, e Walmir Ayala batizava o fenômeno de “febre Chico da Silva”.878889 Em março de 1977 uma coluna do Correio do Ceará calculava que Fortaleza negociava de dois a três mil trabalhos com o nome dele por mês, e registrava a apreensão de cerca de três mil quadros apócrifos nos boxes do mercado da antiga Cadeia Pública.57 O preço dependia inteiramente de onde se comprasse: naquele ano, um “autêntico” de rua saía por trinta a cinquenta cruzeiros, e um autêntico de marchand, por vinte e cinco a trinta mil.90 As apreensões nunca resolveram: trezentos quadros falsos numa batida citada em 1976, mais de seiscentos entre 1982 e 1983.891
Contra as cópias, o pintor e seus intermediários montaram um arsenal de marcas: a assinatura com o traço do F sublinhando o nome, a impressão do polegar, os traços de lápis deixados de propósito sob a tinta, sessões de pintura ao vivo diante de compradores e, a partir de 1976, o registro em cartório, com firma reconhecida no Cartório Martins e atestado colado ou manuscrito no verso das telas.929391 Nenhuma marca resolveu, e a socióloga Gerciane Oliveira observa que todos esses índices foram forjados dentro do mesmo circuito que produzia as obras.94 Em 1978 uma reportagem da revista Arte Hoje acrescentou o detalhe mais estranho do arsenal: um “S ao contrário” tatuado no polegar direito, com que ele carimbava “obras próprias e alheias”; um perfil do ano seguinte falou em um “F” no dedo, e a divergência nunca se fechou.9596

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Em 1979 ele voltou aos jornais acusando falsários, nomeou famílias que produziam cento e cinquenta cópias por semana, teve pedras atiradas no telhado à noite e passou a negar em público que a Escola existisse: só eram seus os quadros vendidos no ateliê, no aeroporto e numa galeria de Brasília.92 A negação atingiu a própria família: na mesma temporada de entrevistas ele apontou entre os falsificadores a filha Chica.9296 A justiça chegou a nomear peritos, entre eles Roberto Galvão, que faria da oficina o tema do livro que publicou em 1986.97 A fábrica de quadros conta essa história inteira.
O homem

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A companheira que a documentação nomeia é Maria Dalva da Silva, que ele dizia ter conhecido em Salvador, filha de uma baiana que vendia acarajé no Pelourinho.498 A imprensa a tratava como esposa, mas ele negava ter casado, e não há registro civil da união.99 Dalva morreu em meados dos anos 1970, de causa que a imprensa da época registrou de forma vaga e divergente, e ele apontava a morte dela como o começo de sua ruína.100101 O número de filhos que declarava variava conforme a entrevista, de uma dúzia a treze, mas só dois aparecem em toda a documentação: Chica, que pintou no ateliê e depois assinou com o próprio nome, e Carlos Roberto, que a imprensa de 1976 mostrou admitindo pintar os quadros que o pai autenticava.102100
Os perfis de época o descrevem baixo e atarracado, de rosto largo e olhos puxados, vestido de linho branco, conversador e repentista.11 Mandou arrancar dentes sãos para exibir uma dentadura de ouro, “sempre descartável… e penhorável, a acudir-lhe os momentos difíceis”, como escreveu Estrigas; dizia tê-la comprado no Uruguai, e à noite a deixava em casa, com medo de assalto.1034 Em 1979 um perfil no diário santista A Tribuna registrava que “nem a dentadura de ouro escapou”.96 Ganhou um carro de um grupo comercial em 1975, no ano em que a universidade lhe organizava uma individual, e anos depois teve de vender o telefone para pagar as prestações.104105 Sobre religião, respondia à sua maneira: “Não sou católico nem apostólico, nem crente […] E a alma é para passarinho”; ainda assim, na internação de maio de 1976, recebeu a unção dos enfermos.4106

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Últimos anos
No fim de 1974 o poder público lhe entregou casa e ateliê na avenida Leste-Oeste, construídos pela empresa municipal de urbanização na gestão do governador César Cals e do prefeito Vicente Fialho, e apresentados sem cerimônia como garantia de procedência: quem comprasse ali, comprava autêntico.107108 No mesmo período Dalva morreu; a primeira internação viria pouco depois, em 1976.100109

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A saúde cedeu de vez em maio de 1976, quando ele foi levado às pressas para a enfermaria da Escola de Aprendizes Marinheiros, com cirrose agravada por tuberculose crônica, e O Povo estampou “Chico da Silva está na miséria”; em junho ele passou pela terapia intensiva do hospital da universidade, inconsciente.100110 Recuperado em agosto, teve recaída em setembro, entrou em delírio e foi transferido para uma casa de saúde sob diagnóstico de psicose alcoólica, onde passou quase um ano pintando como terapia ocupacional.111112 Ele mesmo atribuía a ruína à bebida, e a imprensa foi impiedosa na mesma chave: “desde que ‘se afogou no vidro’, Chico da Silva deixou de pintar”, escreveu o Estadão.113 Foi também o ano em que a cidade lhe devolveu afeto e cobrança: o carnaval de rua abriu com carro alegórico em homenagem a ele, o repórter Edmar Morel assinou a denúncia “A Máfia destruiu Chico da Silva”, e artistas e intelectuais lançaram o movimento por uma fundação que protegesse seu nome, com planos de catalogar as obras autênticas por número.114811590

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Quem falava por ele na última década era o casal Francisca Margarida da Silva e Agostinho Ramires, que se diziam sobrinhos do pintor e o tiraram da clínica em agosto de 1977.11695112 De volta às ruas, ele anunciou que não voltaria ao Pirambu, nomeou os empresários de quem se dizia livre e resumiu: “estou cheio de empresário. Que vá tudo pro inferno”.116 Em 1978 a casa da Leste-Oeste, reformada pela prefeitura, o recebeu de volta, com doze quadros em preparo para a I Bienal Latino-Americana de São Paulo; na fachada ele mandou escrever “Vou terminar minha vida pintando”.117 Do mesmo ano é a Medalha Anchieta, da Câmara Municipal de São Paulo.118
Tromboses em 1979 e em fevereiro de 1981 paralisaram seu lado direito e o deixaram acamado por meses; canhoto, seguiu pintando.119 A partir de 1981 vendeu num boxe do aeroporto Pinto Martins, conseguido por intermédio de Luíza Távora, então primeira-dama do estado, cerca de três quadros por semana, para pagar, dizia, o próprio enterro.12091 Em junho de 1983 o Ceará lhe concedeu por lei uma pensão vitalícia de dois salários mínimos; no mesmo ano, um repórter que o visitou o achou semiparalisado, sem conseguir vender um quadro por mais de cinquenta mil cruzeiros, e ouviu dele que amigo “a gente só conserva enquanto tem saúde, e dinheiro”.121122

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As homenagens chegaram todas no fim. Em 1975 Pedro Jorge de Castro rodou no Pirambu o curta Chico da Silva, com fotografia de Walter Carvalho e música do Quinteto Armorial, premiado como melhor filme de artes plásticas na I Mostra Nacional do Filme Documentário, em Curitiba, em outubro de 1976, e selecionado em 1978 para o festival de filmes sobre arte de Asolo, na Itália.123 Em 28 de março de 1984 ele recebeu do governador Gonzaga Mota, na casa em que vivia, a Medalha da Abolição, a maior comenda do Ceará; a imprensa dos dois dias registrou a cerimônia e o pintor debilitado agradecendo a quem ainda o reconhecia “como artista”.124125 O Acre lhe deu a Ordem Estrela do Acre, e Chabloz morreu em Fortaleza em junho daquele ano.126
Morte
Chico morreu às 3h20 de 6 de dezembro de 1985, na Policlínica de Fortaleza, de acidente vascular cerebral a partir de um enfisema pulmonar crônico, quatro dias depois de dar entrada.10 O corpo foi velado na Casa de Cultura Raimundo Cela e sepultado na tarde do mesmo dia, às 17h50, no cemitério Parque da Paz, onde Chabloz tinha sido enterrado um ano e meio antes.127128 O enterro foi pago pelo estado, poucos foram ao cemitério, e sobre o caixão havia quatro coroas de flores.127 Morreu sem patrimônio: ficaram a casa doada pelo governo e a medalha.129 No obituário de O Povo, entre as frases que Roberto Galvão reuniu, ele mesmo tinha deixado o epitáfio: “Enquanto for vivo, tenho valor e se morrer terei valor dobrado”.10

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Redescoberta
O mercado tinha desabado ainda em vida. Em outubro de 1980, o Jornal do Brasil ouviu nove galerias cariocas e encontrou cotações de mil a cinco mil cruzeiros e dúvida generalizada sobre autoria; na mesma reportagem, Chabloz decretava a “morte artística” do pintor: “tornou-se uma vedete, perdeu a originalidade, é um pintor duvidoso”.130 O anuário de leilões de 1983 mediu a distância em cruzeiros: um Chico da Silva arrematado por vinte mil, contra um milhão e cem mil por um Antônio Bandeira e um milhão e seiscentos mil por um Aldemir Martins.131 Um mês depois da morte, um marchand de Brasília declarava ao Diário do Nordeste que “Chico da Silva não tem cotação”, no obituário de mercado que Estrigas transcreveu e contestou.132 Três anos depois, porém, Chico aparecia na Manchete como precursor: “a pintura de rua, no Brasil, começou em Fortaleza”.133
Quem o manteve em circulação nas duas décadas seguintes foi o Ceará. Em 1989 o Espaço Cultural do Palácio da Abolição montou a retrospectiva “Do Delírio ao Dilúvio”, com catálogo de Roberto Galvão; em 2001 o Estado adquiriu os guaches remanescentes da coleção que Chabloz levara para a Europa, dezesseis do pintor e um de Chica, e os mostrou em “Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva”.13422 Para a família o intervalo mudou pouco: em 1999, quando um neto, Gerardo da Silva, expôs pintura própria em Fortaleza, o Diário do Nordeste registrou que ainda pediam ao governo a casa do pintor de volta, para fazer dela um museu.135

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A redescoberta ganhou ritmo nos anos 2020. Em 2020 a prefeitura de Fortaleza decretou o “Ano Chico da Silva”, e o Salão de Abril daquele ano o homenageou; no mesmo ano o El Museo del Barrio, em Nova York, o incluiu em “Popular Painters & Other Visionaries”, primeira mostra virtual da casa, cuja apresentação rejeita os rótulos de arte naïf e primitiva como pejorativos e redutores.136137 Em 2023 a retrospectiva “Chico da Silva e o ateliê do Pirambu” mostrou 124 obras a 88.881 visitantes na Pinacoteca de São Paulo e seguiu para a Pinacoteca do Ceará, renomeada “Chico da Silva e a Escola do Pirambu”, com 148 obras; a David Kordansky Gallery deu-lhe a primeira individual em Nova York, e a matéria do New York Times sobre a redescoberta, assinada por Hilarie M. Sheets e reproduzida no Brasil pelo Estadão, o descreveu como um dos primeiros artistas brasileiros de ascendência indígena a alcançar fama internacional, influência declarada de nomes como Denilson Baniwa e Jaider Esbell.138139140 Vieram a individual da galeria BANK em Xangai (2024, apresentada como a primeira dele na Ásia), o diálogo com as telas de Alvaro Barrington na Mendes Wood DM de São Paulo (2024-2025) e a individual “Amazônico” na David Kordansky de Los Angeles (2025).141142 Em 2026 a Nottingham Contemporary abriu “And the soul is for the birds”, de 6 de junho a 13 de setembro, sua primeira individual institucional na Europa; o título ecoa uma fala do pintor registrada em 1972: “E a alma é para passarinho”.1434
Os leilões acompanharam. Em novembro de 2023 a Sotheby’s vendeu em Nova York Serpente da serra luminosa, guache de cerca de 1966 que estivera pendurado na própria Bienal de Veneza, por 330,2 mil dólares sobre uma estimativa de 60 a 80 mil: o recorde do artista em leilão.144 A Phillips já levou nove lotes a pregão entre Nova York e Londres, o mais alto vendido por 76,2 mil dólares; a Christie’s vendeu obras sem título em Londres e em Nova York; e a Bonhams pôs tela dos anos 1970 em leilão em Paris.145146147
Como ele pintava

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Chico era canhoto e pintava depressa: “parece que tenho uma máquina de costura dentro do meu braço”, disse a Kawall em 1972.4 Não fazia estudo prévio de composição, e traçava o contorno da primeira figura sem se importar que ela ultrapassasse o limite do papel.148 A cartolina ficava pregada na parede com tachinhas de sapateiro, e havia sempre desenhos de reserva à espera de cor. A cor entrava chapada, sem gradação, e por cima vinha o pontilhado, que no ateliê se chamava pigmentação, feito com o pincel carregado de duas ou três tintas ao mesmo tempo. O acabamento era dele, com a mão de verniz aplicada com bomba de flit, que dava ao guache um brilho de óleo.148149 “A arte está sempre no meu pensamento; depois fico parado e imagino os peixes e os pássaros em movimento e começo a formular as cores”, explicou ele em 1966.14
O suporte mudou três vezes em quarenta anos: do muro para o papel bristol e a cartolina, daí para o papel duplex colorido, que dispensava pintar o fundo, e por fim para a tela.150 As fichas de catálogo documentam a sequência dos materiais: guache e têmpera sobre cartão dominam até os anos 1960, a acrílica aparece no fim dos anos 1960 e o óleo em 1973.151 Fora do circuito de galeria ele pintou também em papel madeira, tecido, compensado e eucatex, e, na lembrança de Claudionor, “até em jarros e potes, pratos e alguidares de barro”.152153154 A relação de obras do catálogo de 2005 mostra o formato pequeno e médio como regra, e o grande painel como exceção.155 Chabloz recusara-se a lhe ensinar a pintura a óleo, que julgava pesada demais para aquele trabalho, negava-lhe aulas de desenho e o dissuadira de pintar a figura humana; achava que o desfecho lógico daquela obra teria sido o afresco.156
Assinava “F. D. Silva” e carimbava ao lado a impressão do polegar, molhado na mesma tinta do quadro; o repertório de marcas cresceu com os falsários, do polegar à firma reconhecida e ao “F” particularizado, numa cronologia que o filho Roberto detalhou à imprensa dois dias depois da morte do pai.58 As letras saem irregulares nos exemplares que restaram: numa tela de 1983 da Coleção João Cunha, o nome está inscrito ao centro inferior com o D e o S invertidos.
O bestiário
O repertório se fixou cedo e mudou pouco em quarenta anos. O que Chabloz viu nos muros em 1943 já era quase tudo: “aves elegantes, peixes monstruosos e navios fantásticos”, na descrição que Silberstein recolheu da versão corrente da descoberta.20 Trinta anos depois o pintor listava o mesmo elenco, com pouca novidade: “Dragões, peixes, pássaros, galos, as monstruosas cobras, as borboletas e algumas jaçanãs de açude”, disse em 1973.157 As cores são cruas e chapadas, sem gradação e sem sugestão de profundidade, e a superfície não deixa vazio.148
A leitura da obra como memória da infância amazônica acompanhou-a desde a primeira crítica, e o pintor a recusava: “Esses mundos que eu pinto não são recordações de quando eu era menino […] isso se chama imaginação, ciências ocultas, astronomia”.158 Sobre a origem dos monstros, três explicações dele convivem no registro: os sonhos (“procuro reproduzir com os pincéis os sonhos que tenho quando durmo”, 1966), o cinema (“Acho que deve existir, sim. Porque eu tenho visto em muitos filmes de cinema”, 1976) e a bebida (“São alucinações que chegam com a cachaça”, no mesmo ano).3159 Para Gerciane Oliveira, a simplificação do repertório a partir dos anos 1960 tem causa material e econômica: os motivos foram depurados em modelos padronizados justamente para poderem ser executados por muitas mãos.160
Dois motivos entraram depois, por encomenda de comprador. A briga de galos veio dos galos de Aldemir Martins, adaptada por Ivan de Assis a partir da capa de um caderno escolar, com o desenho-base reivindicado também por Claudionor; os dragões saíram do jacaré estampado na lata do Querosene Jacaré, numa apropriação que as fontes creditam a Claudionor.64161 O fundo preto, que virou marca da produção do ateliê, foi adotado “devido ao sucesso nas vendas”, registra o catálogo de 2024.162
O que a crítica viu
A recepção internacional saiu de Chabloz, que depois a desmentiu. No ensaio dos Cahiers d’Art, em 1952, ele sustentou que o pintor tinha percorrido sozinho, em poucos anos, o ciclo inteiro da pintura ocidental; para os desenhos de muro que vira em 1943, guardou a descrição de “estilo de grande originalidade, poder de evocação poética e nitidamente arcaico”, e resumiu o autor numa frase: “Simpaticamente nômade, gloriosamente primitivo, divinamente analfabeto, o índio Francisco Silva era sobretudo um maravilhoso artista”.326163 Em 1969 rompeu publicamente, e em 1980 declarou que o antigo descoberto virara vedete e “pintor duvidoso”.85130 Contra a corrente primitivista, Valladares afirmava em 1966 que Chico nada tinha de primário e era um profissional com quase trinta anos de ofício.50
Do rompimento saiu uma régua para o mercado: Chabloz sustentou que só os guaches das duas estadas dos anos 1940 resistiam a qualquer imitação, e Lélia Coelho Frota, em 1977, escreveu que “a primeira fase da obra de Chico da Silva” era a que se ajustava “com a maior adequação” ao elenco dos primitivos autênticos, tratando o caso tardio como “o mais paroxístico” exemplo de descaracterização de um primitivo pelo mercado.19164 A comparação com os grandes ateliês da história apareceu no calor do caso Maria Augusta, por José Roberto Teixeira Leite; Walmir Ayala, em 1976, propôs a divisão em três tempos, a obra autêntica, a escola que pintava sob assistência do mestre e os que pintavam à revelia, e argumentou que, com discípulos pintando “tão bem ou melhor do que ele”, não importava mais averiguar autenticidade.86165
Em 1977 saíram lado a lado, no mesmo número da Revista de Ciências Sociais da universidade cearense, dois estudos sobre o caso. Frota propôs a categoria de liminaridade para descrever a posição do pintor entre dois mundos; Silberstein inverteu a acusação: leu o caso pela chave do colonialismo, explicou o ataque de Chabloz pela nostalgia do paraíso perdido e sustentou que a crítica reduzira a obra ao exotismo amazônico, apagando o que nela era nordestino e urbano.164166 A régua do próprio meio, décadas depois, seria formulada pela sociologia de Gerciane Oliveira como uma grade de quatro estatutos, do quadro integralmente do mestre ao quadro feito e assinado pelo ajudante.167
O rótulo mudou de novo nos anos 2020. As curadorias passaram a apresentá-lo como artista indígena, e Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca de São Paulo, escreveu no catálogo de 2023 que a obra fora por décadas rotulada superficialmente como naïf, regional e decorativa.168 A própria Oliveira, que acompanha a reclassificação, a trata como decisão de curadoria, não de biografia: nota que a chave indígena empurra para segundo plano a inscrição dele no Pirambu, território urbano e periférico, e as referências de cinema e publicidade que estão na obra.169 Jaider Esbell, que apontava a influência dele, referia-se a ele como artista mestiço.170 Em vida, o próprio pintor desviava de qualquer chave: “Eu não sei quem sou. Não sei se da lua ou da terra. O pintor Jean Pierre Chabloz é quem disse que sou um pintor primitivista. Eu não digo nada”.171 O debate está em Primitivo, naïf, indígena.
Exposições selecionadas
Em vida
- 1944: III Salão Cearense de Pintura e II Salão de Abril, Fortaleza23
- 1945: coletiva de artistas cearenses, Galeria Askanasy, Rio de Janeiro24
- 1949: Salão Beauregard, Genebra31
- 1951: Palácio Foz, Lisboa31
- 1952: Galerie Pour L’Art, Lausanne (individual)31
- 1955-1956: “Le Brésil”, Museu Etnográfico de Neuchâtel33
- 1961: primeira individual, Diários Associados, Fortaleza41
- 1963: Galeria Relevo, Rio de Janeiro (individual)45
- 1965: individuais em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro; “Oito Pintores Ingênuos Brasileiros”, Galerie Jacques Massol, Paris46
- 1966: 33ª Bienal de Veneza, menção honrosa; Petite Galerie, Rio de Janeiro; “Brasil Incomum”, Maison Janson, Paris; “Primitivos Brasileiros”, Madri485054
- 1967: IX Bienal de São Paulo; coletiva de primitivos, Galeria Copacabana Palace, Rio de Janeiro5455
- 1968: Galerie M. Bénézit, Paris (individual, vinte guaches)172
- 1970: Galeria Portal, São Paulo (individual, 35 telas)11
- 1972: Galeria da SUDENE, Recife (cerca de quarenta quadros)173
- 1973: Pinacoteca do Estado do Amazonas, Manaus (63 obras); mostra na Câmara dos Deputados, Brasília (dezembro)174175
- 1974: “Escola de Chico da Silva”, Anexo II da Câmara dos Deputados, Brasília (cinquenta quadros da Escola, 16 a 20 de setembro)176
- 1978: I Bienal Latino-Americana de São Paulo; sala especial no XXVIII Salão de Abril, Fortaleza; Galeria Art Nueva, São Paulo; EMCETUR, Fortaleza117177178179
- 1979: Casa do Ceará, Brasília92
Póstumas
- 1989: retrospectiva “Do Delírio ao Dilúvio”, Espaço Cultural do Palácio da Abolição, Fortaleza134
- 2001: “Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva”, Centro Cultural da Abolição, Fortaleza22
- 2005: “Chico da Silva em Três Dimensões”, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza180
- 2012: “Histoires de voir”, Fondation Cartier, Paris181
- 2020: “Popular Painters & Other Visionaries”, El Museo del Barrio, Nova York137
- 2021-2022: “Composições para tempos insurgentes”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro182
- 2022: Gomide&Co, São Paulo (individual); “Conexão Sagrada. Visão Global”, Museu de Arte Sacra, São Paulo; Independent Art Fair, Nova York181169183
- 2023: “Chico da Silva e o ateliê do Pirambu”, Pinacoteca de São Paulo; “Chico da Silva e a Escola do Pirambu”, Pinacoteca do Ceará; David Kordansky Gallery, Nova York (individual); “Cores que Cantam, Dragões que se Devoram”, Museu da Imagem e do Som do Ceará, Fortaleza138140184
- 2024: “Chico da Silva: Amazônian Legend”, BANK, Xangai (individual); “Escola do Pirambu: Um Legado de Chico da Silva”, Centro Cultural Belchior, Fortaleza14159
- 2024-2025: “Alvaro Barrington & Chico da Silva”, Mendes Wood DM, São Paulo142
- 2025: “Amazônico”, David Kordansky Gallery, Los Angeles (individual)142
- 2026: “And the soul is for the birds”, Nottingham Contemporary, Reino Unido (individual)143
Museus e coleções públicas
Obras de Chico da Silva estão em coleções públicas como:
- Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC), Fortaleza, que reúne 78 obras suas, quarenta delas doadas em 2014185
- Acervo do Governo do Estado do Ceará (guaches da antiga coleção Chabloz), Fortaleza22
- Pinacoteca do Ceará, Fortaleza138
- Museu de Arte de São Paulo (MASP)181
- Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP)181
- Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP)181
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio)181
- Museu de Arte do Rio (MAR)181
- Museu de Arte de Belém (MABE)181
- Câmara dos Deputados, Brasília, onde uma tela sem título de 1973, acrílica de 200 por 248 centímetros, está exposta na Lanchonete do Salão Verde186
- Rollins Museum of Art, Winter Park, Flórida142
- Musée d’Art Naïf et d’Arts Singuliers (MANAS), Laval, França142
- La Coopérative-Musée Cérès Franco, Montolieu, França142
- Museu Etnográfico de Neuchâtel, Suíça34
- Centre Pompidou, Paris, cujo gabinete de arte gráfica guarda Luta de dragões (1960) e A luta pela vida (c. 1964), doados em 2023154
A Tate, em Londres, mantém desde 2022 O Grande Pássaro (The Great Bird), guache de 1966 sobre compensado de 1,5 por 2,2 metros, em depósito de longa duração da Tate Americas Foundation.153
A Coleção João Cunha
Na Coleção João Cunha, obras de Chico da Silva e da Escola do Pirambu estão reunidas e documentadas, dos primeiros guaches sobre papel às grandes acrílicas dos anos de Fortaleza, algumas com dupla atribuição, como “Chico da Silva por Babá”.
Esta biografia é do pintor Chico da Silva. O compositor de samba homônimo é outra pessoa.
Bibliografia
Livros, catálogos e estudos citados nas notas; a imprensa de época é citada por extenso em cada nota.
- Chico da Silva em três dimensões. Catálogo de exposição, Centro Cultural Banco do Nordeste. Fortaleza, 2005.
- Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva. Catálogo de exposição, Centro Cultural da Abolição. Fortaleza: Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, 2001.
- Cores que cantam, dragões que se devoram: o universo de Chico da Silva. Catálogo de exposição. Fortaleza: Edições MIS, 2024.
- Estrigas [Nilo de Brito Firmeza]. A saga do pintor Francisco Domingos da Silva. Fortaleza: Tukano, 1988.
- Estrigas [Nilo de Brito Firmeza]. Arte Ceará: Mário Baratta: o líder da renovação. Fortaleza: Museu do Ceará; Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, 2004.
- Freitas, Thierry de, Bitú Cassundé e Flávia Muluc, orgs. Chico da Silva e o ateliê do Pirambu. São Paulo: Pinacoteca de São Paulo, 2023.
- Le Brésil: arts primitifs indigène, afro-brésilien, populaire; arts modernes. Catálogo de exposição. Neuchâtel: Musée d’ethnographie, 1955.
- Frota, Lélia Coelho. “Liminaridade da obra de Francisco da Silva face aos modos ‘normais’ da criação artística no Brasil”. Revista de Ciências Sociais 8, n. 1-2 (1977): 205-217.
- Galvão, Roberto. Chico da Silva e a Escola do Pirambu. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 1986.
- Galvão, Roberto. Chico da Silva: do delírio ao dilúvio. Catálogo de exposição. Fortaleza: Costa Gráfica, 1989.
- Louzada, Júlio. Artes plásticas: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984.
- Machado, Gilberto Andrade. “Calidoscópio: história do ensino de artes plásticas em Fortaleza”. Tese de doutorado, Universidade Federal do Ceará, 2008.
- Muluc, Flávia, org. A Escola do Pirambu: um legado de Chico da Silva. Fortaleza: Gráfica LCR, 2024.
- Oliveira, Gerciane Maria da Costa. Chico da Silva: a emergência de um talento artístico. Fortaleza: EdUECE, 2023.
- Oliveira, Gerciane Maria da Costa. “É ou não é um quadro Chico da Silva?”. Tese de doutorado, Universidade Federal do Ceará, 2015.
- Oliveira, Gerciane Maria da Costa. “Autenticidade, produção coletiva e mercado de pintura: o caso do artista naïf Chico da Silva”. Revista de Ciências Sociais 48, n. 1 (2017): 69-88.
- Oliveira, Gerciane Maria da Costa. “Entre lógicas distintas de comercialização de pintura: o mercado restrito e ampliado de quadros naïfs ‘Chico da Silva’ em Fortaleza”. NAVA 2, n. 2 (2017): 440-453.
- Oliveira, Gerciane Maria da Costa. “Quando um estilo artístico individual se torna uma maneira de pintar? O caso do artista naïf Chico da Silva”. Crítica Cultural 12, n. 2 (2017): 305-313.
- Oliveira, Gerciane Maria da Costa. “Chico da Silva, o pioneiro da arte indígena? A dinâmica de reclassificação do artista acreano em recentes exposições”. MODOS: Revista de História da Arte 8, n. 2 (2024): 706-726.
- Silberstein, David A. “Colonialismo e cultura popular: o caso de Chico da Silva”. Revista de Ciências Sociais 8, n. 1-2 (1977): 219-232.
Notas
Notas
-
Estrigas, A saga do pintor Francisco Domingos da Silva (Fortaleza: Tukano, 1988); Gerciane Maria da Costa Oliveira, Chico da Silva: a emergência de um talento artístico (Fortaleza: EdUECE, 2023); o rio Tejo e o atual município de Marechal Thaumaturgo, cronologia de Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva (2001). ↩
-
Eduardo Campos, “Francisco da Silva e seu Mundo Fantástico”, O Cruzeiro, 28 de setembro de 1963, pp. 110-111, Hemeroteca Digital Brasileira. A reportagem dá o nascimento em 16 de março de 1922 e nomeia os pais. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
“Pintor diz que sua arte é explorada por dono de galeria”, Correio da Manhã, 12 de junho de 1966, p. 13, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Luiz Ernesto [Machado Kawall], “No Ceará, a glória e a dor do primitivo Chico da Silva”, A Tribuna (Santos), 22 de outubro de 1972, p. 4, Hemeroteca Digital Brasileira; texto reproduzido no blog Arnaldo Chieus, 21 de janeiro de 2015. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
-
Estrigas, A saga do pintor, que defende 1922 ou 1923 e atribui o 1910 a erro do Dicionário de Roberto Pontual. ↩
-
Luiz Carlos Antero, “Um ‘índio’ entre os mercadores”, Movimento, n. 85, 14 de fevereiro de 1977, p. 16, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Oliveira, A emergência de um talento artístico, sobre o pai homônimo de origem kampa, a mãe Minervina Félix de Lima e a morte do pai em Quixadá. ↩ ↩2 ↩3
-
Edmar Morel, “A Máfia destruiu Chico da Silva”, O Povo, 1º de junho de 1976, p. 5. ↩ ↩2 ↩3
-
Estrigas, A saga do pintor, sobre a assinatura aprendida no museu da universidade. ↩
-
“Chico da Silva deixa no tempo a criatividade da arte ingênua”, O Povo, 7 de dezembro de 1985, Segundo Caderno, p. 1, com o boxe “Frases de Chico da Silva”, de Roberto Galvão. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
“Chico da Silva”, O Estado de S. Paulo, 5 de novembro de 1970, p. 17, Acervo Estadão. ↩ ↩2 ↩3
-
Hilton Oliveira, “Êles Fazem a Vida da Cidade: O Chico ‘Chic’”, Unitário, abril de 1967, Portal da História do Ceará. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Roberto Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu (Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 1986); o marco de 1937 é consenso das fontes, repetido pelo próprio pintor. ↩
-
“A pintura onírica de Chico da Silva”, Correio Braziliense, 1974 (ed. 04399), Caderno 2, Hemeroteca Digital Brasileira, bib 028274; a matéria reproduz declarações tomadas por José Maria Iglesias em 1966. ↩ ↩2
-
“4 séculos de arte industrializada”, Jornal do Brasil, 25 de junho de 1969, Caderno B, p. 25, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩ ↩2 ↩3
-
Estrigas, A saga do pintor. ↩
-
“Quadros de Chico da Silva desaparecem em São Paulo”, O Povo, 3 de abril de 1978, p. 14. ↩
-
Estrigas, A saga do pintor; o detalhe só aparece nesse livro. ↩
-
Jean-Pierre Chabloz, “Francisco Silva ou a ingenuidade perdida”, Jornal do Brasil, 23 de agosto de 1969, Caderno B, p. 25, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
David A. Silberstein, “Colonialismo e cultura popular: o caso de Chico da Silva”, Revista de Ciências Sociais 8, n. 1-2 (1977), p. 222. ↩ ↩2
-
Oliveira, A emergência de um talento artístico, sobre o método de encomenda; a lista de materiais e o pagamento adiantado, Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva (2001). ↩
-
Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva, catálogo de exposição (Fortaleza: Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, 2001), texto de apresentação: a coleção tinha vinte obras das fases 1943-45 e 1947-48; dezesseis, mais uma de Chica da Silva, voltaram ao Ceará em 2001. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; sobre a organização do III Salão por Chabloz, “O culto da Arte”, O Nordeste, 24 de janeiro de 1944, p. 14, Portal da História do Ceará. ↩ ↩2
-
Mário Baratta, “Exposição Cearense”, O Estado (Fortaleza), 1º de julho de 1945, e “A Velha Arte Moderna”, 8 de julho de 1945; reproduzidas em Estrigas, Arte Ceará: Mário Baratta (Fortaleza: Museu do Ceará, 2004), pp. 54-57, digitalizadas no arquivo ICAA (registro 1111388). ↩
-
Silberstein, “Colonialismo e cultura popular”, pp. 224-225. ↩ ↩2 ↩3
-
“Letras & Artes”, O Nordeste, 13 de agosto de 1948, p. 1, Portal da História do Ceará. ↩
-
“Société mutuelle artistique (Salle Beauregard)”, Journal de Genève, 5 de outubro de 1949, p. 5, Le Temps Archives; o contexto do “outono de 1949” em Oliveira, A emergência de um talento artístico, p. 64. Estrigas data o Salão Beauregard de 1950. ↩
-
Oliveira, A emergência de um talento artístico, sobre Genebra (1949), o Palácio Foz (1951) e a desistência da Jeanne Bucher; a data de 1952 para a Galerie Pour L’Art segue os registros institucionais recentes das galerias que hoje representam a obra. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Jean-Pierre Chabloz, “Un indien brésilien réinvente la peinture”, Cahiers d’Art (Paris), dezembro de 1952, conforme Estrigas, A saga do pintor, e Oliveira, A emergência de um talento artístico. ↩ ↩2
-
Le Brésil: arts primitifs indigène, afro-brésilien, populaire; arts modernes, catálogo de exposição (Neuchâtel: Musée d’ethnographie, 1955); Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 13. Estrigas data a mostra de 1959. ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; a presença em Neuchâtel é lembrada também em Walter Sotomayor, “Chico da Silva”, Correio Braziliense, 28 de outubro de 1976. ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, pp. 17 e 77. ↩
-
Estrigas, A saga do pintor, p. 56, citando o Jornal da Tarde de 24 de junho de 1969. ↩
-
“Chico da Silva (desta vez o autêntico) expõe no Rio”, O Globo, 26 de novembro de 1977, p. 33. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; também Chico da Silva em três dimensões, catálogo de exposição (Fortaleza, 2005). ↩
-
“Que é que há? (No Ceará)”, O Nordeste, 24 de março de 1960, p. 1, Portal da História do Ceará. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; a contagem de cerca de quarenta guaches do núcleo é dos livros de referência, com variação até 43. ↩ ↩2
-
Estrigas, A saga do pintor, que detalha a individual de 10 de abril de 1961 e a coletiva inaugural do museu em 25 de junho. ↩ ↩2 ↩3
-
[Perfil de Chico Santeiro], Jornal do Brasil, 27 de julho de 1962, Caderno B, p. 13, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩
-
Gerciane Maria da Costa Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?” (tese de doutorado, Universidade Federal do Ceará, 2015), pp. 149-150. ↩ ↩2
-
Estrigas, A saga do pintor, p. 43 (“cantor de músicas eruditas”, e a lanchonete Di Caura); Silberstein, “Colonialismo e cultura popular”, p. 225. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, sobre a Galeria Relevo e as apresentações de Chabloz e Aldemir Martins. ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; a coletiva parisiense de Jean Boghici é datada de 1965 por Galvão, com registro divergente de 1949 em outra cronologia; a individual paulista de 1965 (Selearte), Estrigas, A saga do pintor, p. 96. ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu. ↩
-
Roberto Galvão, Chico da Silva: do delírio ao dilúvio, catálogo de exposição (Fortaleza: Costa Gráfica, 1989); a data de janeiro de 1966 para a seleção, Estrigas, A saga do pintor. ↩ ↩2
-
Carta de Clarival do Prado Valladares a Haroldo Juaçaba, 23 de setembro de 1966, transcrita em Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩ ↩2 ↩3
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Edyla Mangabeira Unger, “Artes Plásticas: O Que Vai Acontecer”, O Globo, 9 de junho de 1966, p. 6, que transcreve a apresentação de Valladares. ↩ ↩2 ↩3
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Francisco Domingos da Silva, base ASACdati, Archivio Storico delle Arti Contemporanee, La Biennale di Venezia, registros das quatro obras da 33ª Bienal (1966), acesso em 12 ago. 2026. ↩
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Estrigas, A saga do pintor, que registra a menção honrosa como o único prêmio da vida do pintor e anota que o prêmio pleiteado para ele acabou com Artur Luiz Piza. ↩
-
“Outras & Outras”, Correio do Ceará, 10 de julho de 1974, p. 11, Portal da História do Ceará. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩ ↩2 ↩3
-
“Primitivos Estréiam Hoje em Copacabana”, O Globo, 22 de junho de 1967, p. 6. ↩ ↩2
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Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”. ↩
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“Os Pintores do Pirambu”, Correio do Ceará, 16 de março de 1977, p. 4, Portal da História do Ceará. ↩ ↩2 ↩3
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Sâmara Paula, “Chico da Silva terá galeria retrospectiva”, Diário do Nordeste, 8 de dezembro de 1985. ↩ ↩2
-
Muluc, A Escola do Pirambu, publicado na esteira da exposição homônima do Centro Cultural Belchior (2024). ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, sobre a divisão do trabalho e o aprendizado escalonado. ↩ ↩2
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“Chico da Silva e a Escola do Pirambu: Memória e Imaginário”, episódio 1, entrevista com Garcia (José dos Santos Gomes), vídeo, 8 de julho de 2024. ↩
-
“Os Chicos da Silva da cidade mostram a cara”, O Povo, 3 de abril de 1977, p. 12, apud Gilberto Andrade Machado, “Calidoscópio” (tese de doutorado, UFC, 2008), pp. 58-59; o depoimento de Chica também em “Os Pintores do Pirambu”, Correio do Ceará, 16 de março de 1977. ↩
-
Depoimento de Gilberto Lee, em Flávia Muluc, org., A Escola do Pirambu: um legado de Chico da Silva (Fortaleza: Gráfica LCR, 2024), p. 20. ↩
-
Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, pp. 72, 160 e 193, com o mapa de motivos por discípulo. ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu. ↩
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Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu. ↩
-
Carvalho Nogueira, “Ainda a Babel de Chico da Silva”, O Povo, 7 de junho de 1976, p. 4. ↩
-
Graça Magalhães, “Pirambu: todos pintam ‘Chico da Silva’”, Tribuna do Ceará, 10 de maio de 1975, p. 1, apud Gerciane Maria da Costa Oliveira, “Quando um estilo artístico individual se torna uma maneira de pintar?”, Crítica Cultural 12, n. 2 (2017): 307. ↩
-
Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, pp. 149-150; Machado, “Calidoscópio”, pp. 57-58. ↩ ↩2
-
Frederico Morais, “No Ceará tem gravura, rabiscos e arte conceitual”, O Globo, 30 de março de 1977, p. 36. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩
-
David Silberstein, “Homens Trabalhando”, em Muluc, A Escola do Pirambu, p. 26. ↩
-
Muluc, A Escola do Pirambu, pp. 72-75; “Painel artístico da Escola do Pirambu será da UFC após acordo”, O Povo, 31 de maio de 2023, opovo.com.br; “UFC assina acordo no MPF”, mauc.ufc.br. ↩
-
TVDD #arte, entrevista com Garcia (José dos Santos Gomes), vídeo, 19 de fevereiro de 2026. ↩ ↩2
-
Claudionor Nogueira, “João Clôud, O Leão Pantera”, texto autobiográfico, em Muluc, A Escola do Pirambu, pp. 58-71. ↩ ↩2 ↩3
-
Muluc, A Escola do Pirambu, que nomeia Garcia como o único do núcleo ainda vivo e dedica o volume a Chico, Babá, Claudionor, Chica, Ivan e Garcia. ↩
-
“Da Escola do Pirambu: Garcia se inspira no imaginário ancestral para produzir arte”, O Povo, 27 de abril de 2021, mais.opovo.com.br. ↩
-
“Silva diz que Relêvo está vendendo no Rio imitações das suas telas primitivas”, Jornal do Brasil, 8 de fevereiro de 1966, p. 10, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩
-
Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, p. 170. ↩
-
Gazeta de Notícias (Fortaleza), 12 de junho de 1969, conforme Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, e Estrigas, A saga do pintor. ↩
-
“O teste dos peixes”, O Globo, 18 de junho de 1969, p. 1, e “Teste aprova menina que acusa o pintor”, p. 7. ↩ ↩2
-
“As acusações sôbre Chico Silva são muitas; mas há quem o defenda…”, O Cruzeiro, 7 de agosto de 1969, pp. 62-63, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩
-
“Chico Silva se defende”, O Estado de S. Paulo, 18 de junho de 1969, p. 12, Acervo Estadão. ↩
-
“Chabloz descreve: ascensão e queda de Chico da Silva”, O Povo, 30 de junho de 1969, p. 5; Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 20, data as declarações de 18 de junho e registra a alcunha “Fábrica de Quadros Chico da Silva Limitada”. ↩ ↩2
-
José Roberto Teixeira Leite, “Subitamente cessaram os comentários sobre o caso Chico da Silva”, O Globo, 21 de julho de 1969, p. 5. ↩ ↩2
-
“Fortaleza, o verão de um ano inteiro”, Jornal do Brasil, Caderno de Turismo, 24 de fevereiro de 1972. ↩
-
“Ceará defende pintor”, Jornal do Brasil, 1º de agosto de 1974, p. 22; “Quadros de Chico da Silva são imitados”, Diário de Pernambuco, 1º de agosto de 1974, p. 9. ↩
-
Walmir Ayala, “A febre Chico da Silva”, Jornal do Brasil, 17 de fevereiro de 1974, Caderno B, p. 6. ↩
-
“Artistas lutam para preservar nome e obra de Chico da Silva”, O Estado de S. Paulo, 19 de fevereiro de 1977, p. 9, Acervo Estadão. ↩ ↩2
-
“Chico da Silva: ‘check-up’ e venda de obras em São Paulo”, O Globo, 25 de fevereiro de 1984, p. 25. ↩ ↩2 ↩3
-
“Chico da Silva volta a acusar falsificadores”, Correio do Ceará, 28 de junho de 1979, pp. 1 e 13, Portal da História do Ceará. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
“Chico na Casa do Ceará”, Correio Braziliense, 8 de maio de 1979, p. 26, Hemeroteca Digital Brasileira, bib 028274; também Carlos Figueiredo, “Do Aeroporto”, Correio do Ceará, 9 de abril de 1979. ↩
-
Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, pp. 185-191; Oliveira, “Autenticidade, produção coletiva e mercado de pintura”, Revista de Ciências Sociais 48, n. 1 (2017): 69-88. ↩
-
André Papi, “Um índio reinventa a pintura”, Arte Hoje 1, n. 9, março de 1978, pp. 28-30. ↩ ↩2
-
José Carlos Silvares, “No coração do povo e na mão dos falsificadores”, A Tribuna (Santos), 28 de outubro de 1979, p. 21, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩ ↩2 ↩3
-
Galvão, Do delírio ao dilúvio; Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 69, seção de declarações do pintor. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 70, com a fala “Nunca casei porque sempre tive medo de ser traído”. ↩
-
“Chico da Silva está na miséria”, O Povo, 13 de maio de 1976, p. 6. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
“A verdadeira situação de Chico da Silva”, coluna João Alberto, Diário de Pernambuco, 9 de novembro de 1974, Segundo Caderno, p. 5. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 70, com as falas do pintor sobre os filhos. ↩
-
Estrigas, A saga do pintor. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Estrigas, A saga do pintor. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 27. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 24: internado em 4 de maio de 1976, recebeu a unção dos enfermos no dia seguinte. ↩
-
“Fortaleza dá casa a Chico Silva”, Jornal do Brasil, 30 de dezembro de 1974, p. 18. ↩
-
Luciano Diógenes, “Casa para Chico Silva”, Correio do Ceará, 13 de agosto de 1974, p. 7; “Casa de Chico Silva no ‘Ano da Cultura’”, Correio do Ceará, 2 de janeiro de 1975, p. 5. ↩
-
Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩
-
“Chico da Silva está inconsciente”, O Estado de S. Paulo, 20 de junho de 1976, p. 17. ↩
-
“Recuperado, Chico volta aos quadros”, O Estado de S. Paulo, 14 de agosto de 1976, p. 12. ↩
-
Galvão, Do delírio ao dilúvio; Estrigas, A saga do pintor. ↩ ↩2
-
“Chico morre pouco a pouco, esquecido”, O Estado de S. Paulo, 14 de maio de 1976, p. 9, Acervo Estadão. ↩
-
“Uma instituição para zelar o nome Chico da Silva”, O Povo, 19 de dezembro de 1976, Caderno B, p. 4. ↩
-
“Estou vendendo saúde e não vou voltar mais ao Pirambu”, O Povo, 31 de agosto de 1977, p. 12. ↩ ↩2
-
“Chico da Silva volta ao seu ‘atelier’ na Av. Leste-Oeste”, O Povo, 13 de agosto de 1978, p. 9. ↩ ↩2
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Estrigas, A saga do pintor; o ano oscila entre 1977 e 1978 nas cronologias, e 1978 é o da maioria das fontes. ↩
-
Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩
-
Galvão, Do delírio ao dilúvio; o ritmo de vendas e o enterro, cronologia de Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva (2001). ↩
-
Lei estadual n. 10.807, Diário Oficial do Ceará, 28 de junho de 1983; Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩
-
“Doente e abandonado pelos amigos, Chico da Silva só deseja forças para pintar”, O Povo, 13 de outubro de 1983, Caderno Z, p. 13. ↩
-
“Curtas premiados no Paraná”, O Estado de S. Paulo, 21 de outubro de 1976, p. 10; ofício 48/76-GT da I Mostra Nacional do Filme Documentário, Curitiba, 8 de novembro de 1976; catálogo do 6º Festival Internazionale del Film sull’Arte, Asolo, 1978. ↩
-
“Sofrimento e miséria na arte, mas com medalhas em vida”, O Povo, 28 de março de 1984, Caderno Z, p. 15. ↩
-
“Chico da Silva é condecorado em Fortaleza”, O Estado de S. Paulo, 29 de março de 1984, p. 24. ↩
-
A Ordem Estrela do Acre, cronologia de Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva (2001); a morte de Chabloz em 10 de junho de 1984, Estrigas, A saga do pintor. ↩
-
“Ceará perde Chico da Silva e poucos vão ao cemitério”, O Povo, 7 de dezembro de 1985, p. 1. ↩ ↩2
-
Machado, “Calidoscópio”, p. 59. ↩
-
Rodolfo Espínola, “Morre o primitivista Chico da Silva”, O Estado de S. Paulo, 7 de dezembro de 1985, p. 18, Acervo Estadão. ↩
-
Egídio Serpa, “Suíço decreta a morte artística de Chico da Silva”, Jornal do Brasil, 24 de outubro de 1980, p. 26, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩ ↩2
-
Júlio Louzada, Artes plásticas: seu mercado, seus leilões (São Paulo: J. Louzada, 1984), apud Oliveira, “Entre lógicas distintas de comercialização de pintura”, 449. ↩
-
“Chico da Silva não tem cotação”, Diário do Nordeste, 3 de janeiro de 1986, transcrito e contestado em Estrigas, A saga do pintor, pp. 76-77, com a réplica da crítica Inês Fiuza. ↩
-
“A arte mural pinta como o grande grito artístico do fim do milênio”, Manchete, n. 1878 (1988), p. 74, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩
-
Galvão, Do delírio ao dilúvio, catálogo da retrospectiva de 1989. ↩ ↩2
-
“‘Primitivos’ resgata memória de Chico da Silva”, Diário do Nordeste, 2 de fevereiro de 1999, Caderno 3, p. 5. ↩
-
Muluc, A Escola do Pirambu, sobre o decreto municipal de 2020 e a homenagem do 71º Salão de Abril. ↩
-
“Popular Painters & Other Visionaries”, El Museo del Barrio, Nova York, 6 de agosto a 8 de novembro de 2020, curadoria de Rodrigo Moura; anúncio oficial com a rejeição dos rótulos (acesso em 12 ago. 2026). ↩ ↩2
-
“Chico da Silva e o ateliê do Pirambu”, Pinacoteca de São Paulo, 4 de março a 28 de maio de 2023, curadoria de Thierry de Freitas; público e contagem de obras da mostra cearense em “Pinacoteca do Ceará abre maior exposição já realizada sobre o artista”, Pinacoteca do Ceará, 7 de julho de 2023 (acessos em 12 ago. 2026). ↩ ↩2 ↩3
-
Hilarie M. Sheets, “A Visionary Brazilian Artist Is Rediscovered”, The New York Times, 19 de outubro de 2023. ↩
-
“Artista indígena, Chico da Silva é redescoberto e ganha mostra em Nova York”, O Estado de S. Paulo, 21 de novembro de 2023, p. C3, Acervo Estadão; tradução da matéria do New York Times. ↩ ↩2
-
“Chico da Silva: Amazônian Legend”, BANK, Xangai, 23 de março a 16 de maio de 2024, curadoria de Simon Watson; o texto de abertura a apresenta como a primeira individual do pintor na Ásia (acesso em 12 ago. 2026). ↩ ↩2
-
David Kordansky Gallery, CV institucional de Chico da Silva (Nova York/Los Angeles, 2026). ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
“Chico da Silva: And the soul is for the birds”, Nottingham Contemporary, 6 de junho a 13 de setembro de 2026, curadoria de Salma Tuqan e Niall Ó Faircheallaigh (acesso em 12 ago. 2026). ↩ ↩2
-
“Serpente da serra luminosa”, lote 243, Modern Day Auction, Sotheby’s, Nova York, 14 de novembro de 2023; resultado no balanço oficial das vendas de novembro (acesso em 12 ago. 2026). A ficha do lote registra a obra na “XXXIII Biennale Internazionale d’Arte Venezia”, 1966. ↩
-
Chico da Silva: resultados de leilão, Phillips; o maior valor é “Bichos e Passaros” (1965), New Now, Nova York, março de 2024 (acesso em 12 ago. 2026). ↩
-
Lotes de Chico da Silva na Christie’s: Sem título, Londres, GBP 35.280 e Sem título, Nova York, USD 32.760 (acesso em 12 ago. 2026). ↩
-
“Sans titre” (1971), Post-War & Contemporary Art, Bonhams, Paris, setembro de 2025 (acesso em 12 ago. 2026). ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, sobre o processo de trabalho observado no ateliê; o contorno que ultrapassa o limite do papel, Estrigas, A saga do pintor, p. 79. ↩ ↩2 ↩3
-
TVDD #arte, entrevista com Maria Augusta do Carmo Moreira, vídeo, 11 de junho de 2026. ↩
-
Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, sobre a sequência cartolina, papel duplex e tela; também Estrigas, A saga do pintor, p. 79. ↩
-
Oliveira, A emergência de um talento artístico, lista de obras com cerca de oitenta fichas técnicas. ↩
-
Claudionor Nogueira, “João Clôud, O Leão Pantera”, em Muluc, A Escola do Pirambu, pp. 58-71, com a lista de suportes (“papel madeira, duplex, telas, tecido”); o compensado e o eucatex estão nas fichas da Tate e do Pompidou. ↩
-
“The Great Bird” (1966), Tate; a referência L04628 indica obra em empréstimo (acesso em 12 ago. 2026). ↩ ↩2
-
Fichas do acervo do Centre Pompidou, Cabinet d’art graphique, Musée national d’art moderne: Luta de dragões (1960), inv. AM 2024-287, e A luta pela vida (c. 1964), inv. AM 2024-288, doação Galatea, 2023. ↩ ↩2
-
Relação de obras em Chico da Silva em três dimensões, catálogo de exposição (Fortaleza, 2005), pp. 70-71; a generalização é da casa, a partir da relação. ↩
-
Oliveira, A emergência de um talento artístico: Chabloz proibia o óleo, negava aulas de desenho e desencorajava a figura humana; o afresco como desfecho lógico é do depoimento de Chabloz em Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva (2001), lembrado também por Estrigas. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, compêndio de declarações do pintor; a fala é de entrevista ao Jornal da Imaculada, 5 de maio de 1973. ↩
-
Oliveira, A emergência de um talento artístico, p. 19. ↩
-
Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 73, anexo de declarações: a fala do cinema à revista Ele & Ela (1976) e a das alucinações a Edmar Morel, “A Máfia destruiu Chico da Silva”, O Povo, 1º de junho de 1976, p. 5. ↩
-
Oliveira, “Autenticidade, produção coletiva e mercado de pintura”, 69-88; Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”. ↩
-
Muluc, A Escola do Pirambu, pp. 6 e 34. ↩
-
Muluc, A Escola do Pirambu, p. 6, texto de apresentação; Silberstein, no mesmo volume, liga o fundo preto à fase de mercado. ↩
-
Jean-Pierre Chabloz, “Um índio reinventa a Pintura”, em Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva, catálogo de exposição (Fortaleza, 2001). ↩
-
Lélia Coelho Frota, “Liminaridade da obra de Francisco da Silva face aos modos ‘normais’ da criação artística no Brasil”, Revista de Ciências Sociais 8, n. 1-2 (1977): 205-217. ↩ ↩2
-
Walmir Ayala, “Chico da Silva”, Diário de Notícias (Rio de Janeiro), 1976, p. 11, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩
-
Silberstein, “Colonialismo e cultura popular”, 219-232. ↩
-
Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, p. 193. ↩
-
Jochen Volz, texto de apresentação, em Thierry de Freitas, Bitú Cassundé e Flávia Muluc, orgs., Chico da Silva e o ateliê do Pirambu (São Paulo: Pinacoteca de São Paulo, 2023), 9; transcrito em Oliveira, “Chico da Silva, o pioneiro da arte indígena?”, 717-718. ↩
-
Gerciane Maria da Costa Oliveira, “Chico da Silva, o pioneiro da arte indígena?”, MODOS: Revista de História da Arte 8, n. 2 (2024): 706-726, DOI 10.20396/modos.v8i2.8675001. ↩ ↩2
-
Jaider Esbell, “Arte indígena contemporânea e o grande mundo”, site do artista, 14 de junho de 2018, apud Oliveira, “Chico da Silva, o pioneiro da arte indígena?”, 723. ↩
-
Afrânio Coutinho, “Chico da Silva”, O Povo, 7 de dezembro de 1985, p. 6. ↩
-
José Rangel, “Chico Silva mostra passaros em Paris”, O Povo, 29 de fevereiro de 1968, p. 5. ↩
-
“Chico da Silva abrirá hoje exposição com 40 quadros”, Diário de Pernambuco, 1º de setembro de 1972, p. 7. ↩
-
“Primitivo expõe 63 trabalhos: AM”, Correio Braziliense, 24 de fevereiro de 1973, Caderno de Integração. ↩
-
Estrigas, A saga do pintor, catálogo de exposições (“Câmara Federal sob a Presidência do Dep. Flávio Marcílio, 27/12/1973”); Ari Cunha, coluna “Mesa da Cidade”, Correio Braziliense, 25 de outubro de 1973, p. 15. ↩
-
“Escola de Chico da Silva expõe quadros”, Correio Braziliense, 19 de setembro de 1974, ed. 04589, p. 9, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩
-
Estrigas, A saga do pintor, p. 95. ↩
-
“Do pop ao primitivismo nas 12 exposições desta semana”, O Estado de S. Paulo, 14 de março de 1978, p. 25. ↩
-
Flávio, “Destaques Sociais”, Correio do Ceará, 19 de dezembro de 1978, p. 11. ↩
-
Chico da Silva em três dimensões, catálogo de exposição (Fortaleza, 2005). ↩
-
Gomide&Co, CV institucional de Chico da Silva (São Paulo, 2026). ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
-
“Composições para tempos insurgentes: Francisco da Silva”, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2021-2022. ↩
-
“Chico da Silva: Brazil’s forgotten visionary”, Independent Art Fair, Nova York, 2022; Oliveira, “Chico da Silva, o pioneiro da arte indígena?”, 716. ↩
-
Cores que cantam, dragões que se devoram: o universo de Chico da Silva, catálogo de exposição (Fortaleza: Edições MIS, 2024). ↩
-
“Coleção Chico da Silva”, Museu de Arte da UFC: 78 obras, com a doação de quarenta guaches por Vera Bezerra em 2014 (acesso em 12 ago. 2026). ↩
-
Chico da Silva, “Sem título” (1973), ficha do acervo do Museu da Câmara dos Deputados (acesso em 12 ago. 2026). ↩








