Galos

Dois galos de briga frente a frente, com as garras quase se tocando. A rinha entrou na obra de Chico da Silva em meados dos anos 1960, a pedido da freguesia, e passou de mão em mão no ateliê do Pirambu, do guache de fundo amarelo à acrílica de fundo preto.

A briga de galos

O galo veio de quem comprava. A freguesia pedia algo como os galos de Aldemir Martins, então estampados numa linha de louça da Goyana, e Ivan de Assis desenhou o primeiro a partir da capa de um caderno escolar. Claudionor desenhou outros a pedido de Chico, e quem pintou brigas de galos depois trabalhou sobre o risco de um dos dois, às vezes recortado para servir de molde. Em 1973, o próprio Chico punha os galos na lista dos seus temas.

Nas obras do acervo, a composição quase não muda: os dois galos se espelham, de crista espetada, plumagem em listras e escamas e olho redondo contornado, e folhas de palmeira fecham as laterais. O que muda é o fundo. Nos guaches, como Rinha de Galos, de 1969, e Briga de Galos, de 1972, ele é um amarelo dourado chapado. Nas acrílicas, como Galos de Briga, de 1983, é preto. Em 1977, o cientista político David Silberstein escreveu que a produção do ateliê tinha se estreitado no brilho e na cor da luta sobre o fundo preto.

O Rollins Museum of Art, na Flórida, recebeu em 2024 Fighting Roosters, guache sobre tela de 1974. No acervo, a briga continua depois do mestre: Gerardo da Silva, neto de Chico, pintou Galos em 1998, Babá pintou Galos em 2006, e Garcia, Briga de Galos em 2024.