Cronologia de Chico da Silva

As datas da vida de Chico da Silva e da Escola do Pirambu, do nascimento incerto no Alto Tejo, por volta de 1910, à redescoberta, cada uma com a sua fonte.

Chico da Silva foi um pintor brasileiro. Nasceu por volta de 1910 no Alto Tejo, no então Território do Acre, e morreu em Fortaleza em 6 de dezembro de 1985. O ano do nascimento é incerto: ele não tinha registro civil, e as fontes dão 1910, 1922, 1923, 1926 ou 1928. Começou a desenhar nos muros da Praia Formosa, em Fortaleza, por volta de 1937, foi descoberto pelo pintor suíço Jean-Pierre Chabloz em 1943 e recebeu uma menção honrosa na 33ª Bienal de Veneza, em 1966. Entre 1963 e 1964 passou a pintar com garotos do Pirambu, o bairro em que morava, e o ateliê ficou conhecido como Escola do Pirambu.

Cada item traz a data, o lugar e o fato, com a fonte em nota. Quando as fontes divergem, o item dá as datas em disputa e a nota diz quem afirma cada uma. A biografia conta essa vida por extenso, e o link de cada item leva ao trecho dela, ou ao artigo, que trata do assunto. Das exposições, entram aqui as que mudaram a trajetória dele; a lista completa está na biografia.

Origens no Alto Tejo

Os muros da Praia Formosa

Chabloz e a Europa

Os anos de silêncio

A universidade e o mercado

Veneza, 1966

A Escola do Pirambu e o ateliê

Nos anos do ateliê, a assinatura do mestre numa tela não identifica sozinha a mão que a pintou. O trabalho era dividido por etapa entre ele e os discípulos, e o acabamento e a assinatura ficavam com ele.38 O artigo Catalogar Chico da Silva trata do que isso exige de quem data e atribui essas obras.

Dois galos de plumagem suntuosa frente a frente sobre fundo dourado. Rinha de Galos, Chico da Silva, 1969, guache sobre papel.
Rinha de Galos (1969), Chico da Silva

Últimos anos e morte

Dois galos frente a frente, de cristas espetadas e penas esvoaçantes, sobre fundo preto. Galos de Briga, Chico da Silva, 1983, acrílica sobre tela.
Galos de Briga (1983), Chico da Silva

Depois de 1985

Bibliografia

Livros, catálogos e estudos citados de forma abreviada nas notas; a imprensa de época é citada por extenso em cada nota.

Notas

Notas

  1. Estrigas, A saga do pintor; Oliveira, A emergência de um talento artístico; o rio Tejo e o atual município de Marechal Thaumaturgo, cronologia de Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva. ↩

  2. Eduardo Campos, “Francisco da Silva e seu Mundo Fantástico”, O Cruzeiro, 28 de setembro de 1963, pp. 110-111, Hemeroteca Digital Brasileira. A reportagem dá o nascimento em 16 de março de 1922 e o primeiro quadro em 1937. ↩ ↩2 ↩3

  3. “Pintor diz que sua arte é explorada por dono de galeria”, Correio da Manhã, 12 de junho de 1966, p. 13, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩

  4. Luiz Ernesto [Machado Kawall], “No Ceará, a glória e a dor do primitivo Chico da Silva”, A Tribuna (Santos), 22 de outubro de 1972, p. 4, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩

  5. Estrigas, A saga do pintor, que defende 1922 ou 1923 e atribui o 1910 a erro do Dicionário de Roberto Pontual. ↩

  6. Luiz Carlos Antero, “Um ‘índio’ entre os mercadores”, Movimento, n. 85, 14 de fevereiro de 1977, p. 16, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩

  7. Oliveira, A emergência de um talento artístico, sobre o pai de provável origem kampa, a mãe Minervina Félix de Lima, a morte do pai em Quixadá e o caminho até Fortaleza. ↩ ↩2

  8. Edmar Morel, “A Máfia destruiu Chico da Silva”, O Povo, 1º de junho de 1976, p. 5. ↩

  9. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; o marco de 1937 é consenso das fontes, repetido pelo próprio pintor. ↩

  10. “4 séculos de arte industrializada”, Jornal do Brasil, 25 de junho de 1969, Caderno B, p. 25, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩

  11. Estrigas, A saga do pintor; o detalhe só aparece nesse livro. ↩

  12. Jean-Pierre Chabloz, “Francisco Silva ou a ingenuidade perdida”, Jornal do Brasil, 23 de agosto de 1969, Caderno B, p. 25, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩

  13. Silberstein, “Colonialismo e cultura popular”, p. 222. ↩

  14. Oliveira, A emergência de um talento artístico, sobre o método de encomenda; o material e o pagamento adiantado, Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva. ↩

  15. Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva, texto de apresentação: a coleção tinha vinte obras das fases 1943-45 e 1947-48; dezesseis, mais uma de Chica da Silva, voltaram ao Ceará em 2001. ↩ ↩2

  16. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; sobre a organização do III Salão por Chabloz, “O culto da Arte”, O Nordeste, 24 de janeiro de 1944, p. 14, Portal da História do Ceará. ↩

  17. Silberstein, “Colonialismo e cultura popular”, p. 222. ↩

  18. Oliveira, A emergência de um talento artístico, que transcreve a crítica de Rubem Navarra. ↩

  19. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 12: a pausa de 1945 a 1947, Genebra em 1949, Lausanne em 1950 e Lisboa em 1951. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  20. “Letras & Artes”, O Nordeste, 13 de agosto de 1948, p. 1, Portal da História do Ceará. ↩

  21. “Société mutuelle artistique (Salle Beauregard)”, Journal de Genève, 5 de outubro de 1949, p. 5, Le Temps Archives; o “outono de 1949” em Oliveira, A emergência de um talento artístico, p. 64. Estrigas, A saga do pintor, p. 95, data o Salão Beauregard de 1950. ↩

  22. “Chico da Silva deixa no tempo a criatividade da arte ingênua”, O Povo, 7 de dezembro de 1985, Segundo Caderno, p. 1, com o boxe “Frases de Chico da Silva”, de Roberto Galvão. ↩ ↩2

  23. Estrigas, A saga do pintor, p. 95, lista de exposições fora do Ceará; os CVs institucionais da Gomide&Co (São Paulo, 2026) e da David Kordansky Gallery (Nova York/Los Angeles, 2026) também dão 1952. ↩

  24. Oliveira, A emergência de um talento artístico, p. 64, sobre o Palácio Foz em 1951 e o convite de António Ferro. ↩

  25. Jean-Pierre Chabloz, “Un indien brésilien réinvente la peinture”, Cahiers d’Art (Paris), dezembro de 1952, conforme Estrigas, A saga do pintor, e Oliveira, A emergência de um talento artístico. ↩

  26. Le Brésil: arts primitifs indigène, afro-brésilien, populaire; arts modernes, catálogo de exposição (Neuchâtel: Musée d’ethnographie, 1955); Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 13. Estrigas data a mostra de 1959. ↩

  27. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; a presença em Neuchâtel é lembrada também em Walter Sotomayor, “Chico da Silva”, Correio Braziliense, 28 de outubro de 1976. ↩

  28. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; também Chico da Silva em três dimensões. ↩

  29. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 13; a contagem de cerca de quarenta guaches do núcleo é dos livros de referência, com variação até 43. ↩

  30. Estrigas, A saga do pintor, que detalha a individual de 10 de abril de 1961 e a coletiva inaugural do museu em 25 de junho. ↩ ↩2

  31. Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, pp. 149-150. ↩

  32. Estrigas, A saga do pintor, p. 43 (“cantor de músicas eruditas”, e a lanchonete Di Caura); Silberstein, “Colonialismo e cultura popular”, p. 225. ↩

  33. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, sobre a Galeria Relevo e as apresentações de Chabloz e Aldemir Martins. ↩

  34. Galvão, Do delírio ao dilúvio; a data de janeiro de 1966 para a seleção, Estrigas, A saga do pintor. ↩

  35. Francisco Domingos da Silva, base ASACdati, Archivio Storico delle Arti Contemporanee, La Biennale di Venezia, registros das quatro obras da 33ª Bienal (1966), acesso em 12 ago. 2026. ↩

  36. Carta de Clarival do Prado Valladares a Haroldo Juaçaba, 23 de setembro de 1966, transcrita em Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩

  37. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩

  38. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, sobre a divisão do trabalho e o aprendizado escalonado. ↩

  39. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”. ↩

  40. “Os Pintores do Pirambu”, Correio do Ceará, 16 de março de 1977, p. 4, Portal da História do Ceará. ↩ ↩2

  41. Oliveira, “É ou não é um quadro Chico da Silva?”, pp. 149-150; Gilberto Andrade Machado, “Calidoscópio: história do ensino de artes plásticas em Fortaleza” (tese de doutorado, Universidade Federal do Ceará, 2008), pp. 57-58. ↩ ↩2

  42. “Silva diz que Relêvo está vendendo no Rio imitações das suas telas primitivas”, Jornal do Brasil, 8 de fevereiro de 1966, p. 10, Hemeroteca Digital Brasileira. ↩

  43. Gazeta de Notícias (Fortaleza), 12 de junho de 1969, conforme Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, e Estrigas, A saga do pintor. ↩

  44. “O teste dos peixes”, O Globo, 18 de junho de 1969, p. 1, e “Teste aprova menina que acusa o pintor”, p. 7. ↩

  45. “Chabloz descreve: ascensão e queda de Chico da Silva”, O Povo, 30 de junho de 1969, p. 5; Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 20, data as declarações de 18 de junho e registra a alcunha. ↩

  46. TVDD #arte, entrevista com Garcia (José dos Santos Gomes), vídeo, 19 de fevereiro de 2026. ↩ ↩2

  47. Graça Magalhães, “Pirambu: todos pintam ‘Chico da Silva’”, Tribuna do Ceará, 10 de maio de 1975, p. 1, apud Oliveira, “Quando um estilo artístico individual se torna uma maneira de pintar?”, 307. ↩

  48. Frederico Morais, “No Ceará tem gravura, rabiscos e arte conceitual”, O Globo, 30 de março de 1977, p. 36. ↩

  49. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩

  50. “Chico da Silva volta a acusar falsificadores”, Correio do Ceará, 28 de junho de 1979, pp. 1 e 13, Portal da História do Ceará. ↩

  51. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 27, sobre o inquérito e os peritos nomeados pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Fortaleza. ↩

  52. “Fortaleza dá casa a Chico Silva”, Jornal do Brasil, 30 de dezembro de 1974, p. 18. ↩

  53. Luciano Diógenes, “Casa para Chico Silva”, Correio do Ceará, 13 de agosto de 1974, p. 7; “Casa de Chico Silva no ‘Ano da Cultura’”, Correio do Ceará, 2 de janeiro de 1975, p. 5. ↩

  54. “Curtas premiados no Paraná”, O Estado de S. Paulo, 21 de outubro de 1976, p. 10; ofício 48/76-GT da I Mostra Nacional do Filme Documentário, Curitiba, 8 de novembro de 1976. ↩

  55. “Chico da Silva está na miséria”, O Povo, 13 de maio de 1976, p. 6. ↩

  56. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 24: internado em 4 de maio de 1976, recebeu a unção dos enfermos no dia seguinte. ↩

  57. “Recuperado, Chico volta aos quadros”, O Estado de S. Paulo, 14 de agosto de 1976, p. 12. ↩

  58. Galvão, Do delírio ao dilúvio; Estrigas, A saga do pintor; a saída da clínica no início de agosto de 1977, Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu, p. 26. ↩ ↩2

  59. “Uma instituição para zelar o nome Chico da Silva”, O Povo, 19 de dezembro de 1976, Caderno B, p. 4. ↩

  60. “Artistas lutam para preservar nome e obra de Chico da Silva”, O Estado de S. Paulo, 19 de fevereiro de 1977, p. 9, Acervo Estadão. ↩

  61. “Estou vendendo saúde e não vou voltar mais ao Pirambu”, O Povo, 31 de agosto de 1977, p. 12. ↩

  62. “Chico da Silva volta ao seu ‘atelier’ na Av. Leste-Oeste”, O Povo, 13 de agosto de 1978, p. 9. ↩

  63. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; Estrigas, A saga do pintor; o ano oscila entre 1977 e 1978 nas cronologias, e 1978 é o da maioria das fontes. ↩

  64. Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩

  65. Galvão, Do delírio ao dilúvio; o ritmo de vendas, cronologia de Chico da Silva vê Chabloz vê Chico da Silva. ↩

  66. Lei estadual n. 10.807, Diário Oficial do Ceará, 28 de junho de 1983; Galvão, Do delírio ao dilúvio. ↩

  67. “Sofrimento e miséria na arte, mas com medalhas em vida”, O Povo, 28 de março de 1984, Caderno Z, p. 15. ↩

  68. “Chico da Silva é condecorado em Fortaleza”, O Estado de S. Paulo, 29 de março de 1984, p. 24. ↩

  69. Estrigas, A saga do pintor, que dá a morte de Chabloz em Fortaleza em 10 de junho de 1984. ↩

  70. “Ceará perde Chico da Silva e poucos vão ao cemitério”, O Povo, 7 de dezembro de 1985, p. 1. ↩

  71. Galvão, Chico da Silva e a Escola do Pirambu; a perícia, p. 27. ↩

  72. Claudionor Nogueira, “João Clôud, O Leão Pantera”, texto autobiográfico, em Muluc, A Escola do Pirambu, pp. 58-71; a apresentação de Erika Cavalcanti data a reaproximação com Garcia e Babá de meados de 2004 e a morte de Claudionor de 18 de outubro de 2010. ↩ ↩2

  73. Muluc, A Escola do Pirambu, sobre o decreto da prefeitura e a homenagem do 71º Salão de Abril; o decreto n. 14.574, de 27 de dezembro de 2019, em Oliveira, “Chico da Silva, o pioneiro da arte indígena?”, 715. ↩

  74. “Chico da Silva e o ateliê do Pirambu”, Pinacoteca de São Paulo, 4 de março a 28 de maio de 2023, curadoria de Thierry de Freitas; público e contagem de obras em “Pinacoteca do Ceará abre maior exposição já realizada sobre o artista”, Pinacoteca do Ceará, 7 de julho de 2023 (acessos em 12 ago. 2026). ↩

  75. Muluc, A Escola do Pirambu, pp. 72-75; “Painel artístico da Escola do Pirambu será da UFC após acordo”, O Povo, 31 de maio de 2023, opovo.com.br; “UFC assina acordo no MPF”, mauc.ufc.br. ↩

  76. Hilarie M. Sheets, “A Visionary Brazilian Artist Is Rediscovered”, The New York Times, 19 de outubro de 2023. ↩

  77. “Artista indígena, Chico da Silva é redescoberto e ganha mostra em Nova York”, O Estado de S. Paulo, 21 de novembro de 2023, p. C3, Acervo Estadão; tradução da matéria do New York Times. ↩

  78. “Serpente da serra luminosa”, lote 243, Modern Day Auction, Sotheby’s, Nova York, 14 de novembro de 2023; resultado no balanço oficial das vendas de novembro (acesso em 12 ago. 2026). A ficha do lote registra a obra na “XXXIII Biennale Internazionale d’Arte Venezia”, 1966. ↩

  79. “Chico da Silva: Amazônian Legend”, BANK, Xangai, 23 de março a 16 de maio de 2024, curadoria de Simon Watson; o texto de abertura a apresenta como a primeira individual do pintor na Ásia (acesso em 12 ago. 2026). ↩

  80. Muluc, A Escola do Pirambu, publicado na esteira da exposição homônima do Centro Cultural Belchior (2024). ↩

  81. Muluc, A Escola do Pirambu, que nomeia Garcia como o único do núcleo ainda vivo e dedica o volume a Chico, Babá, Claudionor, Chica, Ivan e Garcia. ↩

  82. “Chico da Silva: And the soul is for the birds”, Nottingham Contemporary, 6 de junho a 13 de setembro de 2026, curadoria de Salma Tuqan e Niall Ó Faircheallaigh (acesso em 12 ago. 2026). ↩